O problema de Chavez é estético

Chavez briga com muita gente. Mas o grande conflito de suas idéias é estético. Passei pelos sitios do governo venezuelano. Os panfletos de propaganda da “revolução bolivariana” mais parecem folhetos de prefeitura do interior, desses educativos sobre hábitos de higiene. Lave as mãos antes das refeições, use bem a fossa, tome o soro caseiro.

Livre da cortina de fumaça da grande imprensa, o chavismo em si traz idéias razoáveis. Trocar petróleo por médicos cubanos, programas assistênciais em favelas, o Banco do Sul, por que não? O voluntarismo de criar uma sociedade nova é sedutor. Seria tedioso aceitar o mundo eternamente condenado ao capitalismo e a democracia liberal. A idéia do fim da história é uma bobagem e o atual estado de coisas, seja na configuração dos grandes interesses globais, seja no funcionamento raso dos arranjos locais, será superado porque assim caminha a humanidade. Não significa para melhor ou pior, o motor da mudança são as novas contradições.

Mas a contradição estética de Chavez é um desalento. Sua impáfia de grande chefão sabe-tudo, pode-tudo, a entourage circulando de jalecos vermelhos e cabelo aparado (um apelo meio estranho, esse dos uniformes, sei não) e a mistificação generalizante contra o grande império, diga-se, seu principal parceiro comercial, dão uma cara muito século XX para o pretenso socialismo do século XXI.

A afirmação de uma nova identidade para esse continente, a deriva no cenário geo-político internacional, é incipiente demais para grandes movimentos. Com esses vícios de origem, vindos dos manuais de escoteiro do bom comportamento socialista, os olhos vigilantes da virtude bolivariana e a beligerância incontida no discurso do novo mundo possível, fracassará na pasmaceira cansativa dos sábios-estetas.

Em tempo: há um outro ítem na pauta estética de Chavez, esse a seu favor. Não é necessário olhar muito apurado nas manifestações pró e contra o governo bolivariano. Nem Claudio Lembo seria capaz de definir tão bem a divisão entre a elite branca, nas universidades e nos protestos contra o fechamento dos canais de televisão, e a massa meio índia, meio negra, meio mestiça, todos com a cara de Chavez, apoiando o governo.

baixe aqui “Os 5 Motores da Revolução Bolivariana em pdf (6mb).”

Veja um documentário produzido pelo governo sobre o fechamento da RCTV, um canal de quinta categoria, produzindo lixo cultural, baixarias semi-pornográficas e rombos fiscais. ¡No pasarán!

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