Nada racional

Mano Brown no Roda Viva foi revelador. Seus raps são brilhantes. Textos cortantes, inteligência no uso da língua que desconhece e das gírias que domina, Brown canta num quase dialeto, e sua obra, podemos chamá-la assim, está muito além de qualquer compositor de sua geração. As contradições, o sexismo, o proselitismo petista, as “orelhadas”, como ele mesmo definiu as lições moralistas que prega, se encaixam perfeitamente no que ele é e no universo que o circunda. Cobrar dele coerência ou uma verborragia contundente numa entrevista como a do Roda Viva é perda de tempo. É um alívio que ele seja melhor escrevendo que posando de porta-voz do gueto. Até porque como porta-voz, Brown não é nada bom. Suas asserções sobre política, polícia, MST, mulheres e a periferia são falas de personagem, não de autor. Ele e seus manos, vivem as as mazelas da vida marginalizada e da condição social de preto e pobre nas periferias do Brasil, mas suas reflexões, se é que as tem, passam ao largo de qualquer análise razoável. Não são substrato, nem solução, só grito.

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