Bergman e Antonioni

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O xadrex com a morte de “O Sétimo Selo”, assisti pela primeira vez no velho Cineclube do Bixiga. É uma das imagens mais reproduzidas do cinema. Já descolou do filme. Tem vida própria, fora do contexto original. Foi o filme de Bergman mais forte para mim, que não sou cinéfilo e tenho dificuldade para guardar o nome da minha rua. Talvez porque tenha visto seus grandes clássicos ainda moleque. Talvez porque o desconcerto de “O Ovo da Serpente” só tenha me voltado ontem, quando soube de sua morte. Olhei para cima e havia uma camera em cima da minha mesa de almoço.

A morte de um sujeito como Bergman, como um bom clássico, nos dá vontade de rever seus filmes. Não sei se eu tinha mais tempo ou se em São Paulo havia mais ciclos dedicados a cineastas. Uma semana interia assistindo Bergman ao lado da minha doce índiazinha. Devo ter visto cinco ou seis filmes numa tirada. Foi tudo na lembrança.

De Antonioni, vi “A Noite” no cinemão. Tinha uns quinze anos e gostava daquela coisa avoada de Marcelo Mastroiani, pra lá e pra cá, meio deslocado na festinha burquesa, com seu terno preto e gravata fina, trocando olhares com as moças. Revi outro dia. O resto das coisas, só fui entender mais tarde. Como ficar calado quando não há nada dizer. Grande ensinamento. Depois, eu trouxe “Blow Up” na bolsa plástica azul brilhante do Videoclube do Brasil. Entrei mudo e sai calado.

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