Ao requiem, tudo passa

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A Osesp não tocou especialmente bem ontem. (08/12). Mesmo mantendo o alto nível de sempre, a orquestra e coro paulistas fizeram uma execução correta do Requiem de Mozart, mas não vi ninguém levitando pela sala. Quer dizer, lá pelo terceiro tema (em tradução livre)

Dia de ira aquele dia
em que os séculos serão reduzidos a cinzas,
disse David, disse Sibila.
Quanto terror haverá no futuro
quando vier o juiz
a exigir-nos as contas, rigorosamente!

uma senhora logo na fileira da frente subiu um palmo, palmo e meio. Segura pelo marido abotoado ao terno, abarrotou novamente sua poltrona.

E mais para frente, no “Sanctus” (em tradução abusadamante livre)

Santo, santo!
santo é o Senhor Deus dos Exércitos
Os céus e a terra estão cheios de tua glória
Salvai-nos no mais alto dos céus

A moça clássica ao meu lado levou à testa o lenço que lhe envolvia o pescoço e fechou os olhos. Era ela, a própria Sibila, a profetizar. No final levantou aplaudida. Foi-se sem revelar seus segredos.

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