A Última Noite

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Quando A Era do Rádio, de Woody Allen foi lançado, um jornal brasileiro lembrou que o rádio no Brasil tinha história, mas não havia diretor para fazer um filme assim. Em A Última Noite, de Robert Altman, fica claro que nos falta muito mais.
Impecável, o filme narra a última noite de um programa de rádio irradiado por mais de 30 anos numa cidade do interior de Minessota. A riqueza de detalhes impressa em cada cena revela uma América caricata e orgulhosa. Mesmo na iminência do fechamento do teatro e, consequentemente, do fim do programa e dos empregos, não há desespero. Há uma segurança resignada, transmitida sobretudo na voz de Garrison Keillor interpretando ele mesmo, de que, ainda que o teatro venha abaixo, a vida continua. O mesmo se passa em relação a morte tranquila do cantor Chuck Ackers, compreendida por todos como um passagem da vida e não uma interrupção.
A vida em A Última Noite flui em linha reta, sem abruptos e a tensão está dissipada no tom amarelado do meio-oeste. Não surpreende que sejam conservadores.

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