A Índia é o meu Engov

Numa entrevista, o brilhante ator Luis Gustavo narra primórdios da TV, quando seu Beto Rockfeller ajudava a criar o vício brasileiro por telenovelas. O antiácido Engov era patrocinador da atração e ele receberia uma soma a cada oportunidade em que falasse Engov. Teria sido a primeira ação de merchandising de todos os tempos. Parte do programa era ao vivo e lá ia ele disparando a dizer “Engov, Engov, Engov” num lucrativo improviso, até o truque ser descoberto. Pois a Índia é o meu Engov.

Novelas vão e vem. Era previsível “Caminho da Índias” gerar um interesse pelo país asiático (há controvérsias sobre a Índia ser efetivamente na Ásia, mas assim é no “War”, então está valendo). Antes mesmo do primeiro capítulo ir ao ar, a visitação desse sítio em que vos falo cresceu cerca de trinta por cento, por conta de uma nota aqui publicada, Menu para o Casamento Indiano. Sempre campeã de acessos, tomou agora proporções sensacionalistas. A Índia desperta a curiosidade das fotos de celebridade nuas. Aliada a palavra “casamento” é um Engov antes, outro depois (créditos do jabá podem ir para Luis Gustavo). Casamento indiano, casamento indiano, casamento indiano.

De fato, o casamento é a instituição fundamental da sociedade indiana. No repetitivo cinema local, a.k.a. Bollywood, raro – raríssimo – é o filme sem a peculiar cena do casamento, ou melhor, da dancinha do casamento. E não se trata de alguma dança de acasalemento. Todo prezado filme indiano tem seu momento dancinha, algumas bastante hilárias, com cenários e coreografias de, digamos, gosto exagerado. Isso quando o enredo não é exclusivamente sobre um casal em busca do casamento.

Guardadas diferenças no papel da dança e da música nas tramas, as novelas brasileiras e o cinema indiano circulam sobre o mesmo tema e suas variações. Até as deficiências técnicas são similares. A novela Beto Rockfeller, de Cassiano Gabus Mendes, acabou virando filme, dirigido por Olivier Perroy, com o próprio Gustavo e Plínio Marcos. Dizia o cartaz: “Atenção maridos da alta sociedade, guardem suas mulheres, chegou Beto Rockfeller!”. Seria pouco indicado a platéia indiana.

Em tempo: o depoimento original de Luis Gustavo, eu vi faz muito tempo, creio na TV Cultura. Googlando recentemente, li a entrevista publicada no Estadão, onde ele reconta o episódio.

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