Arscientia, trangressão e arrebatamento

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Os anos 80 descobriram, extasiados, novos caminhos para o uso da Tecnologia na Arte. Nos estertores da vida offline, as possibilidades para aplicação de ferramentas tecnológicas – sobretudo video – como plataforma artística pareciam ser uma redenção ao ocaso criativo do fim do século. Poucas vezes, no entanto, essas tentativas ultrapassaram os limites confortáveis do modismo e do maneirismo.

A fórmula “Arte e Tecnologia” soa como um clichê oitentista. Como linguagem, é uma relação desproporcional. A dimensão conceitual do que seja Arte é infinitamente mais abrangente do que o que vem a ser Tecnologia. Como tal, é apenas uma ferramenta, um subgênero.

Tudo muda de figura ao confrontamos Arte e Ciência, em todas as suas dimensões. Nesse campo, há um embate intenso, criativo e, mais do que nunca, profícuo. Trata-se de uma situação sem precedentes desde o Renascimento, quando a emancipação da Ciência a levou a pontos opostos como método e prática. De um lado o caos, de outro, o rigor.

De certa forma foi o esgotamente metodológico de ambos que os faz agora escorar um no outro, numa convergência entre processos criativos elementares. Num mundo onde o valor está na troca da informação e, não em sua posse, não há grande Arte sem as tais 10.000 horas de trabalho, não há Ciência sem permissão do acaso.

Se a Ciência volta a procurar um espaço lúdico para reflexão, a Arte, por seu turno, prescinde da transgressão, um aspecto particularmente caro no século XX. Talvez o espaço trangressivo da Arte, de desgastado, seja ocupado pela Ciência. E o rigor técnico, do trabalho intenso, massivo, seja o arrebatamento da Arte no século XXI.

Serviço
Em Nova Iorque, um festival de Ciências aproveita para discutir temas como esse, em ciclos de palesrtras, debates, apresentações e concertos. Inspirado num evento similar em Genova, o Word Science Festival é uma grande feira de ciências. No primeiro ano, as filas dobravam quarteirões.

Aqui em São Paulo, depois dos belíssimos Museu da Lingua Portuguesa e do Futebol, um novo espaço dedicado à ciência promete fazer parte do calendário “passeio com crianças” para o progresso da ciência. O Espaco Catavento, um museu interativo de Ciências cujo site é ruim, mas a experiência é excelente.

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